Startups selecionadas no Edital de Inovação da Indústria desenvolvem drones para coleta de dados, biotecnologias ecológicas e capacitação para Fundação Renova

As soluções para reparar e compensar os danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão ganham agora o reforço de três startups, que estão desenvolvendo tecnologias pioneiras para serem testadas e aplicadas no território atingido. Os projetos foram selecionados no Edital de Inovação para a Indústria, uma iniciativa da frente de Inovação e Economia da Fundação Renova, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

A escolha dos projetos seguiu critérios técnicos, como a viabilidade do negócio e a empregabilidade no processo de reparação. A Skyvideo trabalha na adaptação de drones para acesso a áreas remotas, com possibilidade de flutuação sobre a água. A LiaMarinha, de Mariana (MG), desenvolve biotecnologias ecológicas para tratamento e remediação de águas e efluentes das áreas impactadas. A empresa Já Entendi vai atuar no eixo Pessoas e Comunidades, com projeto de capacitação profissional em estratégia de negócios para as comunidades atingidas.

As tecnologias

Incorporando os drones como os novos aliados da reparação, a Skyvideo está realizando testes de distância e de peso para checar o alcance e a capacidade dos equipamentos. No futuro, os drones poderão realizar coletas de amostras e análises de parâmetros físicos e químicos da qualidade da água, que serão transmitidas remotamente. “A tecnologia permitirá a mensuração da evolução dos programas da Renova, poderá contribuir com tomadas de decisão mais ágeis e precisas e com a difusão de inovação de ponta. E, ainda, será possível replicá-la em outras situações”, afirma Fabio Tauk, diretor da startup.

Com base no funcionamento da própria natureza, a LiaMarinha aposta na Estação de Tratamento Natural (ETN) – ilhas flutuantes fitorremediadoras e barreiras filtrantes, capazes de despoluir com eficiência áreas contaminadas por diversos compostos orgânicos. A técnica ainda é vantajosa pela simplicidade na execução, tempo demandado no processo e menor custo. As ilhas são adaptáveis e imitam as zonas próximas às margens.

A ETN funciona como as raízes das plantas, ou seja, filtra e degrada a matéria orgânica, absorve metais e diminui a turbidez da água. As ilhas podem trabalhar de forma independente e ser utilizadas para diversos fins, como a renaturalização, melhoria da paisagem, aquicultura, lagoas de tratamento e medidas preventivas. “Depois dos testes em laboratório, vamos aplicar a ilha em um trecho piloto do Gualaxo do Norte, em Mariana (MG), uma das áreas mais impactadas pelo rompimento da barragem. Dependendo dos resultados, a tecnologia estará apta a ser reproduzida em outras áreas, da nascente do Doce à foz”, afirma William Pessoa, diretor da empresa.

A capacitação profissional é o foco da empresa Já Entendi. Serão feitos treinamentos de forma ágil, inovador e com baixo custo para base da pirâmide das comunidades atingidas. “Desenvolveremos videoaulas e ebooks com orientações de educação financeira, práticas de vendas, criatividade em embalagens, receitas e dicas para pequenas empreendedoras”, afirma Gladys Mariotto, CEO da empresa.

O edital e projetos

O edital recebeu 76 projetos de startups, micro e pequenas empresas de todo o Brasil. A avaliação das propostas, incluindo entrevistas com representantes das empresas, foi conduzida pelo Senai em parceria com a Fundação Renova. Ao todo, serão destinados R$ 1,1 milhão para as três empresas selecionadas.

“Inovação é uma das palavras-chave para o processo de reparação. A conexão entre empreendedorismo, tecnologia e sustentabilidade é essencial em um cenário que demanda, constantemente, geração e aplicação de novos conhecimentos e técnicas”, destaca Paulo Rocha, líder da frente de Economia e Inovação da Fundação Renova.

Para o desenvolvimento dos projetos, as empresas poderão contar com a estrutura de incubação do sistema Sesi/Senai. “Esta chamada tem um papel muito importante pelo que esta ação representa: conectar e compartilhar para transformar. Todos juntos conectados em busca de soluções que promovam o impacto positivo no ambiente e principalmente nas pessoas da região”, relata Juliana Gavini Uliana, diretora de Inovação e Tecnologia do Senai/Espírito Santo.

Os empreendedores terão, ainda, acesso a uma assessoria para oferecer o novo produto ao mercado.  “Queremos que micro e pequenas empresas, de base tecnológica sustentável, criem produtos que nos ajudem nesse compromisso de reparação, mas que também gerem inovação e conhecimento para o mercado, trazendo novas oportunidades de negócios para elas”, enfatiza Rocha.

 

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